Certo dia, um jovem dissidente de nossa religião, dirigindo-se a mim, queixou-se:
- Pai Silvio, deixei de seguir a Umbanda por achá-la muito confusa. Não consegui entender o emaranhado de caminhos que me ofereceu, todos se apresentando como detentores da Verdade Máxima, como o único braço de Deus capaz de se estender a mim e salvaguardar-me dos sofrimentos, das angústias, das incertezas, das injustiças e com condições de ajudar-me a encontrar a prometida redenção, do lado de lá, quando eu vier a desencarnar. Afinal, por não saber distinguir qual deles representava a Realidade Inquestionável e a solução para todos os meus problemas, peguei meus apetrechos, minhas guias de firmeza, minhas roupas brancas e tudo o que havia ofertado aos meus protetores espirituais e orixás e despachei nas águas do mar. Não quero mais saber dessas coisas. É um tal de Umbanda de Raiz, Umbanda Branca, Umbanda Omolocô, Umbanda de Jurema, Umbanda Esotérica, Umbanda Cabalística, Umbanda Carismática, Umbanda Sagrada, Umbanda Traçada, Umbanda Iniciática, Umbanda Tradicional, Umbanda Mística, Umbanda isso..., Umbanda aquilo, arre! Não dá pra entender mais nada! Para mim, Umbanda tem que ser uma coisa só. Umbanda é Umbanda e nada mais! É assim que a defino.